
Atleta admite doping depois de 10 anos negando (foto: Daniel Norton/ Licença Creative Commons)
Para a tristeza dos fãs, o ex-ciclista Lance Armstrong confirmou o uso de substâncias ilegais e admitiu que as suas sete vitórias na Volta da França só foram possíveis à base de doping no programa de Oprah Winfrey. A entrevista foi ao ar na televisão brasileira nesta quinta-feira (17/01), à meia-noite, e volta a ser transmitida sexta-feira (18/01) às 22h30, no canal por assinatura Discovery Channel.
Com uma expressão triste, o atleta também revelou que fez transfusões de sangue para burlar a Agência Mundial Antidoping (Wada) entre os anos de 1999 e 2005. Repeti várias vezes. Enquanto estava neste processo nos últimos anos, a verdade não estava lá, assume.
Doping– De acordo com o ex-ciclista, não ser pego no exame era só uma questão de programação. Não havia testes em 99 e não houve muitos testes fora da competição. Nunca fui reprovado. Houve testes retroativos, então fui reprovado. Mas nas centenas de testes que fiz, passei porque não havia nada no meu organismo”, revela.
Apesar de ter citado que muitos membros da sua equipe também se dopavam, Lance afirmou que nunca obrigou ninguém a usar as substâncias. Não fui forçado a nada. Não tive acesso a nada que todos tenham tido, conta. O esportista também negou que demitia os atletas que não usassem do método ilícito.
Culpa– O ex-ciclista hesitou por dez anos a dar depoimento sobre o uso de EPO (eritropoetina, substância que gera um aumento de glóbulos vermelhos no sangue, o que melhora a oxigenação e deixa a pessoa mais resistente ao esforço físico) para não desapontar os fãs. Porém, quando decidiu assumir o fato foi direto: Na época, não me sentia errado, diz.
Lance também comentou que o pensamento era assustador, mas não achava que estava trapaceando. Não era trapaça, mas sim ter vantagem sobre o adversário. Eu estava igualando as condições. Falar hoje é fácil. Eu não compreendia a magnitude da adoração das pessoas, lamenta.
Em 2005, o atleta se aposentou e jurou que parou de se dopar. Em 2009 ele voltou a segurar no guidão da bike e terminou a Volta da França em terceiro lugar. No ano seguinte, cruzou a linha de chegada em 23º e parou de competir.
Suborno– Lance foi muito criticado após oferecer R$ 508 mil para a União Internacional de Ciclismo (UCI), mas afirmou que não houve acordo para que não fosse pego no exame de antidoping. Doei porque eles pediram. Não houve um acordo. É impossível dar uma resposta que alguém vá acreditar, mas eu tinha dinheiro e disse Ok, conta.
Este texto foi escrito por: Webrun